Outras Eras

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Frequento uma academia de musculação quase todos os dias. Como sou um obsessivo observador do comportamento humano, estou sempre buscando entender o que fazem as pessoas. Lá, sou o único que não faz os exercícios com um celular na mão. Nos 30 segundos de descanso, entre uma e outra série de exercícios, todos ficam olhando alguma coisa nos celulares. Parece que não conseguem mais descansar, respirar, observar, aprender.

Na semana passada, vi uma mulher tropeçar e cair de boca no chão, e sofrer uma fratura nos maxilares, porque não viu um desnível na calçada – caminhava olhando para o celular. É como se o celular a fizesse perder o medo do perigo que ronda uma cidade contemporânea.

Nas praças de alimentação, é fácil perceber que os casais não conversam mais entre si, mas com alguém do outro lado do fone, ou assistem  a algum vídeo… A comunicação entre os pares se reduz ao nível mínimo necessário para se suportarem.  Talvez seja por isso que os mais idosos sentem saudade dos tempos em que se conversava na calçada, em que se esperava uma carta pelo correio, de quando nos almoços de domingo a família se reunia e se contava o ocorrido durante a semana…  Viviam a Era de Peixes, na qual reinava a sensação de pertinência, a empatia, a compaixão, a atenção à natureza, o romantismo e as ilusões religiosas.

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