Lavabo

Querida, na igreja, não.

– Meus pais exigem.

– Não vou me casar com seus pais.

– Mas não posso contrariá-los, você sabe. Quer que eles fiquem contra mim? Não se esqueça de que eles pagam minha faculdade.

O dinheiro falou alto, ele acabou concordando. No dia do casório, foi ao apartamento onde morariam para verificar se estava tudo bem. Tudo certo. Entrou no lavabo e trancou a porta para experimentar. Aproveitou para urinar. Mas quando quis sair, a porta não abriu, esta maldita fechadura está encrencada.

Depois de inúmeras tentativas, desistiu. Sentou-se na bacia, os pensamentos correndo, perderia o próprio casamento. Seria um sinal? Não queria mesmo me casar, ela pressionou. Adiei por anos… Agora ficava livre do vexame daquela palhaçada na igreja… Que diriam meus companheiros comunistas? A pobre noiva esperando no altar, ela vai romper comigo, voltarei à vida de solteiro, mas a família, os amigos, que vergonha, ninguém vai acreditar nessa história de lavabo…

Precisava sair dali, fez mais uma tentativa e… a porra da porta se abriu.

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